:: CHInewsKI Online - Edição nº 44 - Rio de Janeiro, 19 de Abril de 2002::
Armadura
Segunda feira. O cavaleiro olha para a construção em sua frente. Não
lembrava de nada além de ser torturado até arrancarem todos seus
segredos e verdades. Era enorme, devia ter uns ...50 metros de altura,
e parecia haver um espaço e algo que só os construtores poderiam
explica-lo direito, algo como uma bela imagem. Achava-a bela já por
natureza, por nunca ter visto uma construção daquelas.
O cavaleiro andou pelo chão de material desconhecido até que viu que o
material mudara e várias charretes sem cavalos, porém cheio de
pessoas, passam correndo pela vala. Olhou que havia três símbolos
acima da altura dele, onde a última emitia uma luz verde. Parou e
contemplou o fen6omeno, até se surpreender com uma mudança. O símbolo
inferior pareceu enfraquecer-se, e imediatamente o do meio começou a
se propagar. Mas ainda via carruagens, agora até mais rapidamente.
Esperou até que todos os cavalos invisíveis parassem e pudesse passar
por entre eles.
As pessoas nas encostas achavam graça e riam dele, por estar com medo
de passar pela frente das carruagens e levar uma mordida misteriosa de
um cavalo invisível. Mas, como um guerreiro, não deixara o medo o
impedir, e continuara até chegar a construção misteriosa. Parecia
estranhamente atraído por aquela coisa. Será que aquilo seria um novo
castelo erguido no lugar de algo que outrora não conhecia? Ignorou
seus pensamentos (como a maior parte dos guerreiros, sic) e continuou
a nadar. Viu grades erguidas. Aquilo sim conhecia. Correu
sorrateiramente até adentrar na área, escutando risadas humanas que
imaginara que fossem de humanos hipnotizados por maviosas hienas.
Chegara no que seria um portão. Via-se sem a armadura, chegando ali,
com uma bolsa na mão e algo como uma pena mais fina e sem a parte que
lhe dá o nome em um bolso na roupa. Seguiu a ignorar sua imaginação e
penetrara a fortaleza. Seguia um fluxo de campestres que andavam como
ele tinha imaginado, sem armadura e com folhas em um formato diferente
na mão.
Todos estavam a frente de um bloco de metal que parecia engoli-los. E
pareciam estar felizes por isso, tanto que formavam fila à sua frente.
Seguiu-os com sua caneta, quer dizer, espada (o que passara em sua
cabeça para mistura-los???). O pedaço de metal engolira-o, mas
estranhava como isso deixara-o feliz. Era como uma peleja contra os
hunos, pensou. Esperou até que o bloco se abrisse de novo. Saiu
rolando pelo chão, ao meio de gargalhadas e reclamações. Entendia a
língua que falavam, mas não era mais a mesma, sentia isso. Alguém
falara :"Ih, o cara ta na maoir onda, nem sabe qualé que tá e já vai
rolando, hehehehehe.". Entendia, apesar de cada palavra isoladamente
não fazer sentido em sua cabeça.
Várias pessoas o olhavam. Reconhecia-as, sem entender o porquê. Todos
estes olhavam para ele de elmo a pé, e achara que estavam com medo de
sua armadura. Alguns até acenavam, e ele ficava em posição de
cumprimento, com sua coluna a mais ereta possível, com a mão na
cabeça. Passavam e comentavam, "O palhaço não mudou nada". Achava que
entendia e até os menosprezava por isso, mas continuava a seguir seu
rumo que não sabia onde daria, mas sabia que havia de seguir.
Um salão repleto de cadeiras estranhas, somente com um apoio de mão,
mas não retilíneo, e sim de uma forma curva. Ficara algum tempo para
sentar, mas conseguira. Seu escudo continuava empunhado, para evitar
ataques surpresas. Fora ele que o impedira de entender o que alguns
peões falavam para ele ao passar. Saiam revoltados de perto dele, mas
ele não queria saber, sabia que havia perigo.
Um homem com uma roupa típica de peão entrou, mas sua barba mostrava
que na verdade era um sábio. Começara a explicar para cada um deles,
escrevendo numa aprede mágica com uma pequena varinha de condão o que
deveriam aprender. Queria entender aquilo, sabia que em algum lugar
aquilo era claro, mas não conseguia. Só sabia que ele estava querendo
ensinar um guerreiro a usar uma espada. O escudo em sua frente também
não ajudava muito em entender. Saiu do salão, fitado por mil e um
olhares. Não se importavam. Se um Guardião e seus nove olhos de
petrificação não o parara, não ia ser estes garotos, pensou. Um deles
até chegou a sair do salão para falar com ele, mas escondeu-se atrás
do escudo, até fechando o elmo, de forma que o rapaz desistira e
voltara para a escola de guerreiros.
Matutou um pouco, andando por pequenas serras, e chegara aonde seu
raciocino chegara simultaneamente. Ao Templo da Filosofia. Lembrara
como adorava gastar tempo conversando com estes estudiosos da vida.
Andara até seu salão secreto, que não tinha idéia como tinha certeza
de onde era. Chegara lá e vira vários sábios que lembrava de ter
conversado após várias pelejas, porém a maior parte estava jogada na
cadeira, olhando para o teto como se agonizados. Pensou no que poderia
ser e lembrou de um rosto. Sua donzela. Ela vivia ali. Só podia
traduzir aquilo em uma coisa: traição de algum mau mago.
Andara mais um pouco e encontrara um corredor escuro. Acendera um dos
lampiões que vira que tinha, e tragara. Não sabia por que, mas
aparentemente aquilo fazia eles acenderem e durarem mais. Havia uma
inclinação. Uma escada!, concluiu. O breu aumentava assim com sua
determinação.Escutava barulhos. Sons da voz de sua donzela. Pedindo
para alguém não fazer algo. Estava no caminho certo.
Encontrara com ela. Sua pura e doce donzela. Aquela que sonhara ser a
sua donzela. Estava entre dois magos. Não, não eram magos. Eles a
cercavam e a seduziam. E a dominavam. Eram camponeses. Normais.
Estranhos, com cabelos e cheiros esquisitos, mas normais. Mas era sua
donzela. Levantara sua espada e começara a bater em um.
Não, Caim, não, ela exclamou. Ele olhara no fundo de seus olhos. Ela
tinha que estar possuída pelo demônio. Ou então ser o demônio. Um dos
camponeses tentara ir para cima de Caim, mas ela o puxara para perto
de si, colocando sua coxa entre as dela, enquanto o outro a beijava.
Ela fitara-o de novo, entre um beijo e outro. Ela não era nada. Ela
era uma pessoa.
Viu-se por debaixo da armadura.
Não era um guerreiro, era apenas mais um camponês com armadura, com
medo dos animais que surrateiramente andavam por aí.
Sai correndo. Desceu todas as escadas possíveis, até ver a terra de
novo. Era pouca, e uma das charretes misteriosas passava por ela.
Ele a beijou e ficou ali, estendido no chão, sentindo-se cada vez mais
desprotegido mesmo que sentisse sua armadura e escudo pesando.
Pensou que não conhecia Jesus. Pensou que não conhecia nada além das
tradições dos cavaleiros. Pensou no que houvera com sua donzela.
Pensou em matar-se com sua espada.
Pegou-a e encravou-a em seu peito.
Não havia dor.
Só vergonha. Parecia que a armadura crescia.
Risos.
Uma caneta na mão e várias pessoas o olhando.
Queria reconhecer que ali não era seu lugar. Conseguiu ver REALMENTE
sua armadura. Mas reconheceu. Ali era somente mais um lugar humano.
Dos homens. Dos seres humanos.
A armadura continuou. Ele continuou. Mas entendera porque estava tão
perdido. Era porque ele , infelizmente, se encontrara no meio das
escadas de uma selva de pedra, e não havia ninguém, pelo menos que
conhecesse, para poder falar sobre isso.
Continuou. Com sua armadura. E sua dor. Ela que o fizera perder-se.
Antes não a tivesse. Consciência mata.
::Caim::
Armadura
Segunda feira. O cavaleiro olha para a construção em sua frente. Não
lembrava de nada além de ser torturado até arrancarem todos seus
segredos e verdades. Era enorme, devia ter uns ...50 metros de altura,
e parecia haver um espaço e algo que só os construtores poderiam
explica-lo direito, algo como uma bela imagem. Achava-a bela já por
natureza, por nunca ter visto uma construção daquelas.
O cavaleiro andou pelo chão de material desconhecido até que viu que o
material mudara e várias charretes sem cavalos, porém cheio de
pessoas, passam correndo pela vala. Olhou que havia três símbolos
acima da altura dele, onde a última emitia uma luz verde. Parou e
contemplou o fen6omeno, até se surpreender com uma mudança. O símbolo
inferior pareceu enfraquecer-se, e imediatamente o do meio começou a
se propagar. Mas ainda via carruagens, agora até mais rapidamente.
Esperou até que todos os cavalos invisíveis parassem e pudesse passar
por entre eles.
As pessoas nas encostas achavam graça e riam dele, por estar com medo
de passar pela frente das carruagens e levar uma mordida misteriosa de
um cavalo invisível. Mas, como um guerreiro, não deixara o medo o
impedir, e continuara até chegar a construção misteriosa. Parecia
estranhamente atraído por aquela coisa. Será que aquilo seria um novo
castelo erguido no lugar de algo que outrora não conhecia? Ignorou
seus pensamentos (como a maior parte dos guerreiros, sic) e continuou
a nadar. Viu grades erguidas. Aquilo sim conhecia. Correu
sorrateiramente até adentrar na área, escutando risadas humanas que
imaginara que fossem de humanos hipnotizados por maviosas hienas.
Chegara no que seria um portão. Via-se sem a armadura, chegando ali,
com uma bolsa na mão e algo como uma pena mais fina e sem a parte que
lhe dá o nome em um bolso na roupa. Seguiu a ignorar sua imaginação e
penetrara a fortaleza. Seguia um fluxo de campestres que andavam como
ele tinha imaginado, sem armadura e com folhas em um formato diferente
na mão.
Todos estavam a frente de um bloco de metal que parecia engoli-los. E
pareciam estar felizes por isso, tanto que formavam fila à sua frente.
Seguiu-os com sua caneta, quer dizer, espada (o que passara em sua
cabeça para mistura-los???). O pedaço de metal engolira-o, mas
estranhava como isso deixara-o feliz. Era como uma peleja contra os
hunos, pensou. Esperou até que o bloco se abrisse de novo. Saiu
rolando pelo chão, ao meio de gargalhadas e reclamações. Entendia a
língua que falavam, mas não era mais a mesma, sentia isso. Alguém
falara :"Ih, o cara ta na maoir onda, nem sabe qualé que tá e já vai
rolando, hehehehehe.". Entendia, apesar de cada palavra isoladamente
não fazer sentido em sua cabeça.
Várias pessoas o olhavam. Reconhecia-as, sem entender o porquê. Todos
estes olhavam para ele de elmo a pé, e achara que estavam com medo de
sua armadura. Alguns até acenavam, e ele ficava em posição de
cumprimento, com sua coluna a mais ereta possível, com a mão na
cabeça. Passavam e comentavam, "O palhaço não mudou nada". Achava que
entendia e até os menosprezava por isso, mas continuava a seguir seu
rumo que não sabia onde daria, mas sabia que havia de seguir.
Um salão repleto de cadeiras estranhas, somente com um apoio de mão,
mas não retilíneo, e sim de uma forma curva. Ficara algum tempo para
sentar, mas conseguira. Seu escudo continuava empunhado, para evitar
ataques surpresas. Fora ele que o impedira de entender o que alguns
peões falavam para ele ao passar. Saiam revoltados de perto dele, mas
ele não queria saber, sabia que havia perigo.
Um homem com uma roupa típica de peão entrou, mas sua barba mostrava
que na verdade era um sábio. Começara a explicar para cada um deles,
escrevendo numa aprede mágica com uma pequena varinha de condão o que
deveriam aprender. Queria entender aquilo, sabia que em algum lugar
aquilo era claro, mas não conseguia. Só sabia que ele estava querendo
ensinar um guerreiro a usar uma espada. O escudo em sua frente também
não ajudava muito em entender. Saiu do salão, fitado por mil e um
olhares. Não se importavam. Se um Guardião e seus nove olhos de
petrificação não o parara, não ia ser estes garotos, pensou. Um deles
até chegou a sair do salão para falar com ele, mas escondeu-se atrás
do escudo, até fechando o elmo, de forma que o rapaz desistira e
voltara para a escola de guerreiros.
Matutou um pouco, andando por pequenas serras, e chegara aonde seu
raciocino chegara simultaneamente. Ao Templo da Filosofia. Lembrara
como adorava gastar tempo conversando com estes estudiosos da vida.
Andara até seu salão secreto, que não tinha idéia como tinha certeza
de onde era. Chegara lá e vira vários sábios que lembrava de ter
conversado após várias pelejas, porém a maior parte estava jogada na
cadeira, olhando para o teto como se agonizados. Pensou no que poderia
ser e lembrou de um rosto. Sua donzela. Ela vivia ali. Só podia
traduzir aquilo em uma coisa: traição de algum mau mago.
Andara mais um pouco e encontrara um corredor escuro. Acendera um dos
lampiões que vira que tinha, e tragara. Não sabia por que, mas
aparentemente aquilo fazia eles acenderem e durarem mais. Havia uma
inclinação. Uma escada!, concluiu. O breu aumentava assim com sua
determinação.Escutava barulhos. Sons da voz de sua donzela. Pedindo
para alguém não fazer algo. Estava no caminho certo.
Encontrara com ela. Sua pura e doce donzela. Aquela que sonhara ser a
sua donzela. Estava entre dois magos. Não, não eram magos. Eles a
cercavam e a seduziam. E a dominavam. Eram camponeses. Normais.
Estranhos, com cabelos e cheiros esquisitos, mas normais. Mas era sua
donzela. Levantara sua espada e começara a bater em um.
Não, Caim, não, ela exclamou. Ele olhara no fundo de seus olhos. Ela
tinha que estar possuída pelo demônio. Ou então ser o demônio. Um dos
camponeses tentara ir para cima de Caim, mas ela o puxara para perto
de si, colocando sua coxa entre as dela, enquanto o outro a beijava.
Ela fitara-o de novo, entre um beijo e outro. Ela não era nada. Ela
era uma pessoa.
Viu-se por debaixo da armadura.
Não era um guerreiro, era apenas mais um camponês com armadura, com
medo dos animais que surrateiramente andavam por aí.
Sai correndo. Desceu todas as escadas possíveis, até ver a terra de
novo. Era pouca, e uma das charretes misteriosas passava por ela.
Ele a beijou e ficou ali, estendido no chão, sentindo-se cada vez mais
desprotegido mesmo que sentisse sua armadura e escudo pesando.
Pensou que não conhecia Jesus. Pensou que não conhecia nada além das
tradições dos cavaleiros. Pensou no que houvera com sua donzela.
Pensou em matar-se com sua espada.
Pegou-a e encravou-a em seu peito.
Não havia dor.
Só vergonha. Parecia que a armadura crescia.
Risos.
Uma caneta na mão e várias pessoas o olhando.
Queria reconhecer que ali não era seu lugar. Conseguiu ver REALMENTE
sua armadura. Mas reconheceu. Ali era somente mais um lugar humano.
Dos homens. Dos seres humanos.
A armadura continuou. Ele continuou. Mas entendera porque estava tão
perdido. Era porque ele , infelizmente, se encontrara no meio das
escadas de uma selva de pedra, e não havia ninguém, pelo menos que
conhecesse, para poder falar sobre isso.
Continuou. Com sua armadura. E sua dor. Ela que o fizera perder-se.
Antes não a tivesse. Consciência mata.
::Caim::

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