::CHInewsKI Online - Edição nº 22 - Rio de Janeiro, 20 de agosto de
2001::
sONhO de UMa noiTE De inVErNo(97)
/Numa floresta, ao lado de um lago/
(em off)
um:Mais um dia, menos um dia para o tal dia!
outro:Se você já está assim, imagine eu que há tanto tempo espero o
nascer
deste novo Sol.
um:Então você acredita realmente enstas baboseiras, meu ingênuo amigo?
outro:Se não fosse a esperança, por que viver deveria o homem? Se não
fosse
a esperança, ainda que longínqua, para que eu viveria a vida dos
mortos
vivos?
um:Meu melancólico companheiro, pare com estas lamúrias. Você
obviamente
estava se referindo àquela mulher que tanto deseja, a tal...
outro:Cale-se você, que zomba de meu sofrimento. Não vê que ao meu
jeito eu
estou alegre somente em vê-la feliz, em vê-la amar a vida...
um:Amar a vida daquele outro, se diga a verdade.
Outro:Pare de picuinhas, seu... bastardo! De que adiantaria-me ser
como
você, que se alimenta de todas as flores tão rapidamente que nem
consegue
sentir a verdadeira essência de um delas?
um:Pare de romantismo barato, seu filósofo de banheiro de botequim!
Parece
que nem te contei daquela que descobri ainda ontem...
outro:...Não me contaste não. Então encha meus ouvidos com essa sua
nova
história de amor... se é disso que se trata.
um:Agora é tu que zombas de mim. Como se atreve a insultar o nome de
Goethe
se não vês do que estais diante?
outro:Então as... sensações chegaram a este ponto?Ora, quem te viu...
um:Isso mesmo, alguém me viu e eu estava tão perdido em minhas orgias
que
nem pude vê-la. O fogo queria me tocar e parecia que fugia dele para
procurar um lugar mais quente, olhe só meu antagonismo.
outro:Pare de me deixar ansioso e me diga logo, como descobriu essa
tão
linda jovem?
um:Não fui eu que descobri, foi...não, foi... ah., quer saber mesmo a
verdade? Não sei.
outro:Como assim, não sabe? Que história é esta?
um:Sabe, você deve saber destas histórias melhor do que eu, já que
andaste
pelas trilhas do amor pelos mais longinquos e tortuosos caminhos.
Quando
fecho meus olhos para descansar meu corpo cansado de orgias, não é em
outra
senão nela em que penso. Seus olhos verdes me trilham pelos caminhos
obscuros dos sonhos, levando-me à prazeres oníricos que jamais
imaginei que
pudesse um dia conhecer! Meu amigo, se achasse uma palavra que
expressasse
tudo que sinto nestas horas de amor...
outro:Falaste a palavra e nem se dera conta.
um:Como?
outro:Falaste a palavra e nem se dera conta.
um:Como assim?Me explique!
outro:É só amor, caro colega de sofrimento. Dentro em breve, você não
vai
conseguir continuar suas eternas orgias pensando em seu rosto...
(angelical)
Que vê em seus pensamentos. Pensará em sua amada enquanto cortejar as
megeras da vida.
(celestial)
O que ficas a murmurar enquanto explico o que me pediste?
um:Nada, só a resmungar. Sabe, sempre imaginei que o amor viria de
repente,
quando eu menos esperava...
outro:Então mostraste que sabia algo do asunto...
um:Não! Deixai-me finalizar o pensamento... Sempre achei que
encontraria em
uma esquina, em uma festa, em uma ocasião ao acaso. O que vi em meus
sonhos
foi a imagem daquela que nunca quis assumir que amava. Quem mais
poderia
ser, senão ela, que me cuidava todas as vezes que imaginava-me em
sofrimentos, ao pesar de nem ter experimentado um mínimo pedaço deste.
outro:Você me lembra uma frase de um amigo nosso. Encontrei um camiho
longo
e um curto. Tomei o longo, e isto fez toda a diferença.
um:Sim, você entendeu-me, nobre Horácio. Digamos que tomei o caminho
mais
longo para voltar ao ponto de partida, mas com uma mala cheia de
memórias
para me preparar para a realidade da verdadeira caminhada.
outro:Parecemos pastores religiosos.
um:E não é isso que todos um dia viramos? Pastores dessa tal religião
que
chamamos amor, onde tentamos achar uma parceira ideal para nos
permitir
encontrarmos a nós mesmos, nosso céu e inferno na Tera? Não é isso?
outro: Não una estes dois antagonismos, parece a minha amada.
um:Será que ela é a sua mada? Será que não tenta se enganar?
outro:você sabe que sim.
um:Hã?
outro: Isso mesmo. Meus amores platônicos são amaneira que tenho de
permanecer lúcido diante de minha extrema excentricidade. Os
solitários
nasceram para pensar,e o pensamento torna o verdadeiro amor
impossível.
um:Não diga besteira, homem, vo...
outro:Cale você! Se não estivesse cego pela paixão
(amor)
veria que patético é o amor. O homem foi feito para a poligamia. Não
temos o
dom natural de agarrarmo-nos a alguém, é só ver a Natureza.
Amaldiçoamo-nos
a nossas tradições, onde a noss própria Igreja permite ciências
contra seus
dogmas e sociedades que vão contra a solidariedade,a base de toda a
vida na
Terra...
/Troca de olhares. Um si de dentro do lago/
Não escute minhas palavras. São palavras de um mau amado que tem
inveja da
felicidade dos outros... Não, escutai-me, pois tenho a voz
imparcial... meu
amigo... ajude-me.
/abraço e um choro visceral/
um:Sofremos do mesmo mal, meu amigo, acalma-se. Amo o amor que não
devia ser
permitido para nós, que nos é vetado desde nossas longinquas
gerações. E
você, sofre do pior mal da humanidade nestes nossos tempos insanos.
Pior que
sofrer por não ter algo é sofrer por não ser algo. Os solitários vagam
silenciosamente nos becos das ruas das cidades, morrem e só damos por
sua
falta quando o fedor está insuportável no quarto que alugam em pensões
vagabundas ou então quando percebemos que não temos aquele camarada
para
emergências, que um sorriso enche seu coração por um ano até. Eu te
entendo,
meu amigo, embora não compreenda.
outro: Eu tenho.. que manter... a esperança.
um:E deve. Sem ela, você está morto. De verdade.
/chuva/
um:Parece que as suas lágrimas chamaram suas companheiras nos andares
de
cima. Deixa que eu te levo para casa.
outro:MAs eu ia me encontrar com a ...
um:Não, eu não vou te deixar ser o passatempo das horas vagas de uma
megera
qualquer, muitomenos o capacho para o homem dela entrar e limpar seus
pés
cehios de merda em suas costas. Já te basta carregar o peso do mundo.
Eu
acho.
outro: E você?... Vai para...
um:Silêncio. Se acalme mais. Vou procurar minha amada, se é que já
posso
chamá-la assim. Afinal, nào a vejo desde que éramos crianças
aprendendo a
escrever. Aco que ainda sei onde nos encontrávamos. Onde a encontrar.
/saindo/
outro: E eu?
um:Acho que você aguenta até o fim. Do milênio, pelo menos. Espero.
outro: Tem horas que acho que morrer ia ser tão mais fácil. Tão bom.
um:Espero.
/a chuva toma conta
fade out/
:: tommy molto & eclipse::
2001::
sONhO de UMa noiTE De inVErNo(97)
/Numa floresta, ao lado de um lago/
(em off)
um:Mais um dia, menos um dia para o tal dia!
outro:Se você já está assim, imagine eu que há tanto tempo espero o
nascer
deste novo Sol.
um:Então você acredita realmente enstas baboseiras, meu ingênuo amigo?
outro:Se não fosse a esperança, por que viver deveria o homem? Se não
fosse
a esperança, ainda que longínqua, para que eu viveria a vida dos
mortos
vivos?
um:Meu melancólico companheiro, pare com estas lamúrias. Você
obviamente
estava se referindo àquela mulher que tanto deseja, a tal...
outro:Cale-se você, que zomba de meu sofrimento. Não vê que ao meu
jeito eu
estou alegre somente em vê-la feliz, em vê-la amar a vida...
um:Amar a vida daquele outro, se diga a verdade.
Outro:Pare de picuinhas, seu... bastardo! De que adiantaria-me ser
como
você, que se alimenta de todas as flores tão rapidamente que nem
consegue
sentir a verdadeira essência de um delas?
um:Pare de romantismo barato, seu filósofo de banheiro de botequim!
Parece
que nem te contei daquela que descobri ainda ontem...
outro:...Não me contaste não. Então encha meus ouvidos com essa sua
nova
história de amor... se é disso que se trata.
um:Agora é tu que zombas de mim. Como se atreve a insultar o nome de
Goethe
se não vês do que estais diante?
outro:Então as... sensações chegaram a este ponto?Ora, quem te viu...
um:Isso mesmo, alguém me viu e eu estava tão perdido em minhas orgias
que
nem pude vê-la. O fogo queria me tocar e parecia que fugia dele para
procurar um lugar mais quente, olhe só meu antagonismo.
outro:Pare de me deixar ansioso e me diga logo, como descobriu essa
tão
linda jovem?
um:Não fui eu que descobri, foi...não, foi... ah., quer saber mesmo a
verdade? Não sei.
outro:Como assim, não sabe? Que história é esta?
um:Sabe, você deve saber destas histórias melhor do que eu, já que
andaste
pelas trilhas do amor pelos mais longinquos e tortuosos caminhos.
Quando
fecho meus olhos para descansar meu corpo cansado de orgias, não é em
outra
senão nela em que penso. Seus olhos verdes me trilham pelos caminhos
obscuros dos sonhos, levando-me à prazeres oníricos que jamais
imaginei que
pudesse um dia conhecer! Meu amigo, se achasse uma palavra que
expressasse
tudo que sinto nestas horas de amor...
outro:Falaste a palavra e nem se dera conta.
um:Como?
outro:Falaste a palavra e nem se dera conta.
um:Como assim?Me explique!
outro:É só amor, caro colega de sofrimento. Dentro em breve, você não
vai
conseguir continuar suas eternas orgias pensando em seu rosto...
(angelical)
Que vê em seus pensamentos. Pensará em sua amada enquanto cortejar as
megeras da vida.
(celestial)
O que ficas a murmurar enquanto explico o que me pediste?
um:Nada, só a resmungar. Sabe, sempre imaginei que o amor viria de
repente,
quando eu menos esperava...
outro:Então mostraste que sabia algo do asunto...
um:Não! Deixai-me finalizar o pensamento... Sempre achei que
encontraria em
uma esquina, em uma festa, em uma ocasião ao acaso. O que vi em meus
sonhos
foi a imagem daquela que nunca quis assumir que amava. Quem mais
poderia
ser, senão ela, que me cuidava todas as vezes que imaginava-me em
sofrimentos, ao pesar de nem ter experimentado um mínimo pedaço deste.
outro:Você me lembra uma frase de um amigo nosso. Encontrei um camiho
longo
e um curto. Tomei o longo, e isto fez toda a diferença.
um:Sim, você entendeu-me, nobre Horácio. Digamos que tomei o caminho
mais
longo para voltar ao ponto de partida, mas com uma mala cheia de
memórias
para me preparar para a realidade da verdadeira caminhada.
outro:Parecemos pastores religiosos.
um:E não é isso que todos um dia viramos? Pastores dessa tal religião
que
chamamos amor, onde tentamos achar uma parceira ideal para nos
permitir
encontrarmos a nós mesmos, nosso céu e inferno na Tera? Não é isso?
outro: Não una estes dois antagonismos, parece a minha amada.
um:Será que ela é a sua mada? Será que não tenta se enganar?
outro:você sabe que sim.
um:Hã?
outro: Isso mesmo. Meus amores platônicos são amaneira que tenho de
permanecer lúcido diante de minha extrema excentricidade. Os
solitários
nasceram para pensar,e o pensamento torna o verdadeiro amor
impossível.
um:Não diga besteira, homem, vo...
outro:Cale você! Se não estivesse cego pela paixão
(amor)
veria que patético é o amor. O homem foi feito para a poligamia. Não
temos o
dom natural de agarrarmo-nos a alguém, é só ver a Natureza.
Amaldiçoamo-nos
a nossas tradições, onde a noss própria Igreja permite ciências
contra seus
dogmas e sociedades que vão contra a solidariedade,a base de toda a
vida na
Terra...
/Troca de olhares. Um si de dentro do lago/
Não escute minhas palavras. São palavras de um mau amado que tem
inveja da
felicidade dos outros... Não, escutai-me, pois tenho a voz
imparcial... meu
amigo... ajude-me.
/abraço e um choro visceral/
um:Sofremos do mesmo mal, meu amigo, acalma-se. Amo o amor que não
devia ser
permitido para nós, que nos é vetado desde nossas longinquas
gerações. E
você, sofre do pior mal da humanidade nestes nossos tempos insanos.
Pior que
sofrer por não ter algo é sofrer por não ser algo. Os solitários vagam
silenciosamente nos becos das ruas das cidades, morrem e só damos por
sua
falta quando o fedor está insuportável no quarto que alugam em pensões
vagabundas ou então quando percebemos que não temos aquele camarada
para
emergências, que um sorriso enche seu coração por um ano até. Eu te
entendo,
meu amigo, embora não compreenda.
outro: Eu tenho.. que manter... a esperança.
um:E deve. Sem ela, você está morto. De verdade.
/chuva/
um:Parece que as suas lágrimas chamaram suas companheiras nos andares
de
cima. Deixa que eu te levo para casa.
outro:MAs eu ia me encontrar com a ...
um:Não, eu não vou te deixar ser o passatempo das horas vagas de uma
megera
qualquer, muitomenos o capacho para o homem dela entrar e limpar seus
pés
cehios de merda em suas costas. Já te basta carregar o peso do mundo.
Eu
acho.
outro: E você?... Vai para...
um:Silêncio. Se acalme mais. Vou procurar minha amada, se é que já
posso
chamá-la assim. Afinal, nào a vejo desde que éramos crianças
aprendendo a
escrever. Aco que ainda sei onde nos encontrávamos. Onde a encontrar.
/saindo/
outro: E eu?
um:Acho que você aguenta até o fim. Do milênio, pelo menos. Espero.
outro: Tem horas que acho que morrer ia ser tão mais fácil. Tão bom.
um:Espero.
/a chuva toma conta
fade out/
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