:: CHInewsKI Online - Edição nº 45 - Rio de Janeiro, 28 de Maio de 2002::
Addicted To You
Addicted to You - Alec Empire - Ligue sue Audio galaxy e aponte para
http://www.audiogalaxy.com/list/song.php?&g=257237757
E leia...
Escutou que bateram na porta, apesar do som alto. Fingiu que não percebera. Sabia que sua mãe entraria e ficaria a perturbando, falando que era pra ser assim, que não adiantava chorar (não se chora por leite derramado, ela sempre dizia).
Mas ela queria chorar. Berrar até perder a voz.
Foi muito...assim. De repente. Ok, ela sabia, em algum lugar dentro, que este dia estava chegando. As brigas constantes, a falta de entendimento... mas quando chega, você nunca acredita.
As caixas de som dançavam no chão com o baixo e batidas sonoros do drum and bass de Alec Empire. Alec Empire. Ela nem sabia que nome era este há dois anos atrás. Foi no mesmo dia em que resolvera chorar as mágoas de ter bombado no vestibular (não pensa em plural, vestibulares, porque aí a ferida ia se abrir de novo). Foi pra Bang!, suas amigas sempre falavam de lá. Achou fantástico o lugar, telão passando capítulos inéditos dos Simpsons e Arquivo X. Dois shows simultâneos. Lá em cima, uma banda de faculdade que parecia um rock dos anos sessenta, bem dançante. E uma banda gótica embaixo, perto da cozinha e do bar. Preferiu ficar no bar, tomando suas cuba libres e revezando o olhar entre o telão e o guitarrista da banda gótica.
Achou-o lindo. Uma jaqueta de couro, o rosto maquiado, com um batom vermelho. E um ar tão.. distante, tão perdido na música.
Sempre pensou: Relacionamentos que começam em lugares como boates e raves nunca vão pra frente. Porque nunca seguia seu instinto?
Ele percebera-se notado. Depois do show, aproximou-se diretamente, dizendo que se o mundo acabasse naquele momento, ele não podia morrer sem ter dado um beijo naquela garota linda. Ela não resistiu ao galanteio e ao efeito do álcool na cabeça e beijou-o, antes mesmo de saber seu nome. Ele , abrando-a com força, levantou-a. Fizera o que nunca tinha, foram para uma escada, o fudedródomo, como chamavam, que descia para uma sala fechada , um porão(depois soubera que lá havia muita droga), e transara com ele ali mesmo. Sem nem tirar sua calcinha, só a chegando para o lado e prendendo-se nas paredes. Nunca gozara tanto. Melhor, nunca gozara.
-Prazer, meu nome é Alex. E adorei você. - ele disse, ao segurar sua cintura e coloca-la em segurança no chão. Paixão a primeira vista, ou trepada.
E depois ela passou a ser como uma roadie da banda. Ia a vários lugares da cidade, chegou até a viajar com eles para São Paulo, num festival de bandas independentes, sempre sem largar dele. Após os shows, iam para algum bar e ficavam batendo papo. Ele nunca deixava ela falar sobre faculdade, vestibular, nem nada. Falavam sobre a vida, sobre eles, sobre tudo que não fosse sério demais. Seu olhar as vezes se perdia no nada e ela ficava olhando, admirando. Como ela adorava ser ela a ficar marcada de batom e sentir o cheiro dele (pensando bem, o cheiro nada mais era do que couro da jaqueta).
Passou-se um ano nesta fase. Ele raramente ia na casa dela, quando o fazia, mal entrava, era só para busca-la para o show. Não viam-se muito pela semana, ele passava o dia todo na faculdade de filosofia e a noite ensaiava com a banda, enquanto ela fazia cursinho.
E aí veio o problema. Ela passou.
Como as imagens vêm na cabeça facilmente, pensava ela, acendendo outro cigarro. Merda, ele me passou este vício. Mais batidas na porta. O cheiro de cigarro estava inconfundível. Não tinha mais como esconder.
Não tinha mais como viver... sem ele. O cigarro?... Não, sem ele...
Estavam na mesma faculdade, só que ela fazia Direito noturno. O salário de seu pai não agüentava mais as contas, principalmente tendo uma filha que saía tanto, e ela teve que começar a trabalhar na tarde.
Uma loja de cds, nada melhor pra ela. Alex vinha vê-la com os amigos e amigas às vezes. Nunca dando muita atenção. Começaram a ter muitas brigas, por ele andar sempre distante, por estar sempre abraçado à amigas (até amigos...mais vezes amigos que amigas), por sumir e não avisar, entre várias outras discussões. Mas sempre quem reclamava era ela. Ele nunca levantava um pio sobre ela, somente em discussões, onde ela sentia claramente que ele usava as palavras para culpá-la de algo.
Nunca conseguia responder a altura e, quando não estavam brigando, ele falava que era pra treinar a dialética dela, afinal, estava fazendo direito. Como eu era cega de levar isso a sério!, revoltou-se.
Pegara as fotos que estavam guardadas numa caixa em formato de coração debaixo de sua cama. A caixa que ela mesma comprara pra ele. Já que Alex não queria levar "tranqueira", como falava, pra casa, ela começou a usar como guarda-recordações do namoro. Olhava como sorriam nas fotos. Olhando bem, o sorriso dele nunca era um sorriso. Era somente o sorriso fotográfico, sabe? Às vezes até daqueles feitos com batom, como aquele cara das revistas de super herói que ele lê... Coringa, era assim que eu chamava-o as vezes...
Depois de uns meses, ela resolveu radicalizar. Parou de procurá-lo.
Ele ligava, ela respondia, mas não dava muita bola. Até que ela não agüentou e foi em sua casa, chorando, que não conseguia ficar sem ele, etc. Aquele papo desesperado de sempre. Foi nesta época que ele começou a falar de ter um relacionamento mais aberto. Veio com teorias filosóficas e ela com réplicas cristãs. Nunca vai esquecer o que
disse: Nenhuma cristã fode em escada ,fuma ou bebe como você faz. Ela chorou mais, e chegaram meio que num ponto onde tinha acabado com o relacionamento em si, mas nenhuma parte assumia.
Foi picotando foto por foto. Jogando fora cada cartinha que ela escrevera (ele só dava cartões daqueles que já vem escritos, e colocava um desenho ou um pedaço de letra de música, mas falar algo além de "te adoro", nunca).
Ela continuava indo nos shows, e vendo-o ficar descaradamente com outras garotas. Estavam começando a fazer um certo sucesso em faculdades, ele estava ficando popular. Discutiam no dia seguinte (claro, porque ela saia no meio do show, puta da vida, e ele só dava notícias no dia seguinte, com uma voz morgada), e tudo continuava assim. Faltava força de vontade para parar de vê-lo. De tê-lo.
Até que, nesta tarde, ele resolvera levá-la para sua casa. Que rara espontaniedade, pensara. Chegando lá, ficaram se namorando, ela ficando feliz. Até que uma amiga dele chegara. Não entendera muito bem, ele chamando-a para dentro, dando uma cerveja. Até que ele, sentado na cama, abraçara-a pela cintura e chamara Alê para sentar-se.
Foi, nervosa, até que percebeu que ele estava acariciando as duas. Ela levantou-se, reclamando dele, e ele puxando-a de volta. Falou que ela tinha que fazer isso ou então nunca mais iam se ver. Ela foi embora e agora acabava de picotar tudo que guardara. Nem que nunca mais fosse vê-lo.
Seu celular tocara. Era ele. Aos prantos, conversaram. Ela reclamou da situação, e ele lembrou de tudo que passaram. Ela parara de chorar, e começava a esboçar um sorriso tristonho ao ver tudo que ele falava cortado aos pedaços no chão vazio em sua frente.
Resolvera ir para a casa dele, como pedira. Ao abrir a porta, ela viu.
A mulher ainda estava lá. Filha da puta. Ela sentou-se no chão do corredor, pôs a cabeça entre as pernas e chorou. Ele saiu e sentou-se ao seu lado, deixando a garota lá dentro. Fez cafuné, falando que ele queria isso, queria assim, ia ser blá blá blá. Ela não conseguia mais pensar muito. Percebera que uma aliança no dedo dele estava prendendo em seu cabelo. Lembrou do rosto da vadia e lembrou que ela era uma das amiguinhas que ela sempre vira abraçada com ele. Perguntou sobre isso e veio uma historinha muito mal contada. Ele cantarolou uma música que fizera pra ela. Um sorriso tentando ser falso,mas ela realmente sentia algo quando ele cantarolava (será que esta música é pra mim mesma? Ah, tem que ser).
Levantou-se e estendeu a mão para baixo. Vamos, ele falou. Olhou pra dentro minuciosamente e percebeu que havia um brilho na mão da garota também. Uma aliança. NÃO! Mas ela entrou. E chorou e gozou. E jurou de novo não voltar. Mas era difícil largar vícios, mesmo que o vício possa largar de você. Preferia ser uma burra feliz a uma solitária depressiva. Nem que tivesse que dividir seu vício. Com eles ou elas.
Ela o queria .
E ponto.
::Caim::
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E leia...
Escutou que bateram na porta, apesar do som alto. Fingiu que não percebera. Sabia que sua mãe entraria e ficaria a perturbando, falando que era pra ser assim, que não adiantava chorar (não se chora por leite derramado, ela sempre dizia).
Mas ela queria chorar. Berrar até perder a voz.
Foi muito...assim. De repente. Ok, ela sabia, em algum lugar dentro, que este dia estava chegando. As brigas constantes, a falta de entendimento... mas quando chega, você nunca acredita.
As caixas de som dançavam no chão com o baixo e batidas sonoros do drum and bass de Alec Empire. Alec Empire. Ela nem sabia que nome era este há dois anos atrás. Foi no mesmo dia em que resolvera chorar as mágoas de ter bombado no vestibular (não pensa em plural, vestibulares, porque aí a ferida ia se abrir de novo). Foi pra Bang!, suas amigas sempre falavam de lá. Achou fantástico o lugar, telão passando capítulos inéditos dos Simpsons e Arquivo X. Dois shows simultâneos. Lá em cima, uma banda de faculdade que parecia um rock dos anos sessenta, bem dançante. E uma banda gótica embaixo, perto da cozinha e do bar. Preferiu ficar no bar, tomando suas cuba libres e revezando o olhar entre o telão e o guitarrista da banda gótica.
Achou-o lindo. Uma jaqueta de couro, o rosto maquiado, com um batom vermelho. E um ar tão.. distante, tão perdido na música.
Sempre pensou: Relacionamentos que começam em lugares como boates e raves nunca vão pra frente. Porque nunca seguia seu instinto?
Ele percebera-se notado. Depois do show, aproximou-se diretamente, dizendo que se o mundo acabasse naquele momento, ele não podia morrer sem ter dado um beijo naquela garota linda. Ela não resistiu ao galanteio e ao efeito do álcool na cabeça e beijou-o, antes mesmo de saber seu nome. Ele , abrando-a com força, levantou-a. Fizera o que nunca tinha, foram para uma escada, o fudedródomo, como chamavam, que descia para uma sala fechada , um porão(depois soubera que lá havia muita droga), e transara com ele ali mesmo. Sem nem tirar sua calcinha, só a chegando para o lado e prendendo-se nas paredes. Nunca gozara tanto. Melhor, nunca gozara.
-Prazer, meu nome é Alex. E adorei você. - ele disse, ao segurar sua cintura e coloca-la em segurança no chão. Paixão a primeira vista, ou trepada.
E depois ela passou a ser como uma roadie da banda. Ia a vários lugares da cidade, chegou até a viajar com eles para São Paulo, num festival de bandas independentes, sempre sem largar dele. Após os shows, iam para algum bar e ficavam batendo papo. Ele nunca deixava ela falar sobre faculdade, vestibular, nem nada. Falavam sobre a vida, sobre eles, sobre tudo que não fosse sério demais. Seu olhar as vezes se perdia no nada e ela ficava olhando, admirando. Como ela adorava ser ela a ficar marcada de batom e sentir o cheiro dele (pensando bem, o cheiro nada mais era do que couro da jaqueta).
Passou-se um ano nesta fase. Ele raramente ia na casa dela, quando o fazia, mal entrava, era só para busca-la para o show. Não viam-se muito pela semana, ele passava o dia todo na faculdade de filosofia e a noite ensaiava com a banda, enquanto ela fazia cursinho.
E aí veio o problema. Ela passou.
Como as imagens vêm na cabeça facilmente, pensava ela, acendendo outro cigarro. Merda, ele me passou este vício. Mais batidas na porta. O cheiro de cigarro estava inconfundível. Não tinha mais como esconder.
Não tinha mais como viver... sem ele. O cigarro?... Não, sem ele...
Estavam na mesma faculdade, só que ela fazia Direito noturno. O salário de seu pai não agüentava mais as contas, principalmente tendo uma filha que saía tanto, e ela teve que começar a trabalhar na tarde.
Uma loja de cds, nada melhor pra ela. Alex vinha vê-la com os amigos e amigas às vezes. Nunca dando muita atenção. Começaram a ter muitas brigas, por ele andar sempre distante, por estar sempre abraçado à amigas (até amigos...mais vezes amigos que amigas), por sumir e não avisar, entre várias outras discussões. Mas sempre quem reclamava era ela. Ele nunca levantava um pio sobre ela, somente em discussões, onde ela sentia claramente que ele usava as palavras para culpá-la de algo.
Nunca conseguia responder a altura e, quando não estavam brigando, ele falava que era pra treinar a dialética dela, afinal, estava fazendo direito. Como eu era cega de levar isso a sério!, revoltou-se.
Pegara as fotos que estavam guardadas numa caixa em formato de coração debaixo de sua cama. A caixa que ela mesma comprara pra ele. Já que Alex não queria levar "tranqueira", como falava, pra casa, ela começou a usar como guarda-recordações do namoro. Olhava como sorriam nas fotos. Olhando bem, o sorriso dele nunca era um sorriso. Era somente o sorriso fotográfico, sabe? Às vezes até daqueles feitos com batom, como aquele cara das revistas de super herói que ele lê... Coringa, era assim que eu chamava-o as vezes...
Depois de uns meses, ela resolveu radicalizar. Parou de procurá-lo.
Ele ligava, ela respondia, mas não dava muita bola. Até que ela não agüentou e foi em sua casa, chorando, que não conseguia ficar sem ele, etc. Aquele papo desesperado de sempre. Foi nesta época que ele começou a falar de ter um relacionamento mais aberto. Veio com teorias filosóficas e ela com réplicas cristãs. Nunca vai esquecer o que
disse: Nenhuma cristã fode em escada ,fuma ou bebe como você faz. Ela chorou mais, e chegaram meio que num ponto onde tinha acabado com o relacionamento em si, mas nenhuma parte assumia.
Foi picotando foto por foto. Jogando fora cada cartinha que ela escrevera (ele só dava cartões daqueles que já vem escritos, e colocava um desenho ou um pedaço de letra de música, mas falar algo além de "te adoro", nunca).
Ela continuava indo nos shows, e vendo-o ficar descaradamente com outras garotas. Estavam começando a fazer um certo sucesso em faculdades, ele estava ficando popular. Discutiam no dia seguinte (claro, porque ela saia no meio do show, puta da vida, e ele só dava notícias no dia seguinte, com uma voz morgada), e tudo continuava assim. Faltava força de vontade para parar de vê-lo. De tê-lo.
Até que, nesta tarde, ele resolvera levá-la para sua casa. Que rara espontaniedade, pensara. Chegando lá, ficaram se namorando, ela ficando feliz. Até que uma amiga dele chegara. Não entendera muito bem, ele chamando-a para dentro, dando uma cerveja. Até que ele, sentado na cama, abraçara-a pela cintura e chamara Alê para sentar-se.
Foi, nervosa, até que percebeu que ele estava acariciando as duas. Ela levantou-se, reclamando dele, e ele puxando-a de volta. Falou que ela tinha que fazer isso ou então nunca mais iam se ver. Ela foi embora e agora acabava de picotar tudo que guardara. Nem que nunca mais fosse vê-lo.
Seu celular tocara. Era ele. Aos prantos, conversaram. Ela reclamou da situação, e ele lembrou de tudo que passaram. Ela parara de chorar, e começava a esboçar um sorriso tristonho ao ver tudo que ele falava cortado aos pedaços no chão vazio em sua frente.
Resolvera ir para a casa dele, como pedira. Ao abrir a porta, ela viu.
A mulher ainda estava lá. Filha da puta. Ela sentou-se no chão do corredor, pôs a cabeça entre as pernas e chorou. Ele saiu e sentou-se ao seu lado, deixando a garota lá dentro. Fez cafuné, falando que ele queria isso, queria assim, ia ser blá blá blá. Ela não conseguia mais pensar muito. Percebera que uma aliança no dedo dele estava prendendo em seu cabelo. Lembrou do rosto da vadia e lembrou que ela era uma das amiguinhas que ela sempre vira abraçada com ele. Perguntou sobre isso e veio uma historinha muito mal contada. Ele cantarolou uma música que fizera pra ela. Um sorriso tentando ser falso,mas ela realmente sentia algo quando ele cantarolava (será que esta música é pra mim mesma? Ah, tem que ser).
Levantou-se e estendeu a mão para baixo. Vamos, ele falou. Olhou pra dentro minuciosamente e percebeu que havia um brilho na mão da garota também. Uma aliança. NÃO! Mas ela entrou. E chorou e gozou. E jurou de novo não voltar. Mas era difícil largar vícios, mesmo que o vício possa largar de você. Preferia ser uma burra feliz a uma solitária depressiva. Nem que tivesse que dividir seu vício. Com eles ou elas.
Ela o queria .
E ponto.
::Caim::

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