:: CHInewsKI Online - Edição nº 44 - Rio de Janeiro, 19 de Abril de 2002::
Indiependência Carioca
Lobão (dispensa maiores apresentações) tornou-se uma espécie de ícone
independente da história recente da música brasileira, quando resolveu
lutar contra o monopólio da indústria fonográfica sobre os músicos e a
música nacional. Pode-se dizer que através dele, a grande mídia
descobriu a música indie e abriu um pouco seu espaço aos órfãos do
Circo Voador, que abrigou grandes nomes na década de 80. Muitas destas
bandas tiveram sua estréia ao grande público neste extinto espaço
cultural, ainda como músicos independentes. Portanto, o papel das
produções independentes para a qualidade da boa música brasileira, que
não vem pré-fabricada e com vendagem de cds igualmente
pré-encomendadas pelas lojas, é indiscutível. Mas será que o Rio sabe
valorizar seu músicos independentes? Não existe um consenso. A Casino,
banda independente, acredita que não. Já o produtor Rodrigo Lariu ,
dono do selo Midsummer Madness (MM Records), é otimista com relação ao
mercado carioca. E Lobão reconhece que a força das grandes gravadoras
é um fator que leva o músico independente a ficar em desvantagem.
Mas, afinal, o Rio possui um bom mercado para as bandas independentes?
Para uns, o mercado carioca dá ótimas chances aos novatos. Lariu é um
dos que pensam assim. Ele acredita que falta divulgação dos meios que
apóiam a música indie. "Aqui têm gravadoras como a minha, a Tamborete,
a Navena Music; têm revistas do porte da Rock Press; rádios como a
Fluminense AM; além de organizadores como o pessoal da LOUD!, que
trazem um monte de bandas legais para tocar; sem citar o Garage, a
Casa da Zorra, o Néctar, o Ballroom, entre outros", afirma o produtor.
A jornalista Cecília, vocalista, uma das guitarristas e letrista da
banda Casino, que tem um estilo musical chamado de "bossa-rock",
discorda. Para ela, as pessoas não sabem lidar com o pequeno músico,
que não tem condições de arcar com despesas como transporte para
outras cidades. "Me mandam uns e-mails assim: amo sua banda, vem tocar
aqui no festival de ´quixeramobim´. Pagar a passagem? Nem pensar! Se
você não tem um mínimo de estrutura, não viaja e não faz show por aí.
Independente só viaja se tiver pai rico ou um senhor emprego",
esbraveja Cecília. Sobre as casas que oferecem espaço para os músicos
independentes tocarem no Rio, ela cita o Garage, o Bob´s da Barra, as
Lonas culturais, Kashanga e Ballroom.
Por um mercado mais justo - Há uma parte dos músicos, principalmente
os independentes, que apóiam a idéia de que todo músico deve tomar as
rédeas do jogo com as grandes gravadoras, se libertando, assim, das
garras da indústria fonográfica. Lobão é um dos que mais apareceram na
mídia recentemente erguendo esta bandeira, afirmando que as grandes
gravadoras roubam o direito autoral dos músicos e manipulam, de forma
inaceitável, a música brasileira. Ele faz questão de dizer que, ao
contrário do que muitos pensam, não foi o primeiro artista brasileiro
a levantar este tipo de polêmica. "O Brasil está cheio de artistas
honestos e indignados que vem lutando ao longo das décadas. Em última
análise, deveria fazer parte da natureza do artista se rebelar por
simplesmente ser artista.", filosofa o cantor. Lobão afirma ainda, que
a indústria fonográfica tem vantagens com relação aos pequenos pela
questão do dinheiro, muitas das vezes, trazido de fora. Mas acredita
que o quadro está mudando. "Nós seremos os responsáveis por esta
mudança, não dá mais para ficar esperando o que o executivo vai fazer
com o artista novo, não é verdade?" declara o roqueiro.
Sobre a questão do músico indie carioca ser pior do que os de estados
mais conceituados, como São Paulo e Rio Grande do Sul, Lariu acha que
falta é marketing às bandas cariocas. Segundo ele, os gaúchos e
paulistas falam bem de si o tempo todo, e também têm a sorte de contar
com jornalistas que puxam o saco deles. Já os músicos cariocas... "O
povo do Rio é mais relaxado e não se autopromove" resume o produtor.
Uma coisa ninguém pode negar: uma das vantagens que os músicos
independentes têm com relação aos que possuem uma grande gravadora por
trás é notada, principalmente, no quesito estilo musical. O músico
toca o que quer, mescla o que quer e ninguém mete o bedelho por isto
ou aquilo ser mais vendável. A Casino é uma das bandas que mistura
estilos musicais diferentes: ninguém consegue dizer se eles são uma
banda que toca MPB e mescla rock ou uma banda de rock que mescla MPB.
Mas Cecília diz que não se importa com estilos A ou B. "Ninguém sabe
ao certo, mas também, quem se importa?! Eu quero é mais lugar para
tocar", convida-se a jornalista-vocalista-letrista. Alguém aí se
sensibilizou e tem uma festa boa para chamá-la para tocar?!
Lobão lançou este ano o disco ao vivo "Uma Odisséia no Universo
Paralelo", à venda em bancas e lojas. A Casino está prestes a lançar
um EP pela MMRecords, á venda no site (www.mmrecords.com.br) O Lariu,
é o dono do selo MMRecords, que possui, além do site, uma famosa lista
de discussão.
Leia a entrevista com Lobão na íntegra
Leia a entrevista com Cecília na íntegra
::Tommy Molto/Letícia Cianconi::
Indiependência Carioca
Lobão (dispensa maiores apresentações) tornou-se uma espécie de ícone
independente da história recente da música brasileira, quando resolveu
lutar contra o monopólio da indústria fonográfica sobre os músicos e a
música nacional. Pode-se dizer que através dele, a grande mídia
descobriu a música indie e abriu um pouco seu espaço aos órfãos do
Circo Voador, que abrigou grandes nomes na década de 80. Muitas destas
bandas tiveram sua estréia ao grande público neste extinto espaço
cultural, ainda como músicos independentes. Portanto, o papel das
produções independentes para a qualidade da boa música brasileira, que
não vem pré-fabricada e com vendagem de cds igualmente
pré-encomendadas pelas lojas, é indiscutível. Mas será que o Rio sabe
valorizar seu músicos independentes? Não existe um consenso. A Casino,
banda independente, acredita que não. Já o produtor Rodrigo Lariu ,
dono do selo Midsummer Madness (MM Records), é otimista com relação ao
mercado carioca. E Lobão reconhece que a força das grandes gravadoras
é um fator que leva o músico independente a ficar em desvantagem.
Mas, afinal, o Rio possui um bom mercado para as bandas independentes?
Para uns, o mercado carioca dá ótimas chances aos novatos. Lariu é um
dos que pensam assim. Ele acredita que falta divulgação dos meios que
apóiam a música indie. "Aqui têm gravadoras como a minha, a Tamborete,
a Navena Music; têm revistas do porte da Rock Press; rádios como a
Fluminense AM; além de organizadores como o pessoal da LOUD!, que
trazem um monte de bandas legais para tocar; sem citar o Garage, a
Casa da Zorra, o Néctar, o Ballroom, entre outros", afirma o produtor.
A jornalista Cecília, vocalista, uma das guitarristas e letrista da
banda Casino, que tem um estilo musical chamado de "bossa-rock",
discorda. Para ela, as pessoas não sabem lidar com o pequeno músico,
que não tem condições de arcar com despesas como transporte para
outras cidades. "Me mandam uns e-mails assim: amo sua banda, vem tocar
aqui no festival de ´quixeramobim´. Pagar a passagem? Nem pensar! Se
você não tem um mínimo de estrutura, não viaja e não faz show por aí.
Independente só viaja se tiver pai rico ou um senhor emprego",
esbraveja Cecília. Sobre as casas que oferecem espaço para os músicos
independentes tocarem no Rio, ela cita o Garage, o Bob´s da Barra, as
Lonas culturais, Kashanga e Ballroom.
Por um mercado mais justo - Há uma parte dos músicos, principalmente
os independentes, que apóiam a idéia de que todo músico deve tomar as
rédeas do jogo com as grandes gravadoras, se libertando, assim, das
garras da indústria fonográfica. Lobão é um dos que mais apareceram na
mídia recentemente erguendo esta bandeira, afirmando que as grandes
gravadoras roubam o direito autoral dos músicos e manipulam, de forma
inaceitável, a música brasileira. Ele faz questão de dizer que, ao
contrário do que muitos pensam, não foi o primeiro artista brasileiro
a levantar este tipo de polêmica. "O Brasil está cheio de artistas
honestos e indignados que vem lutando ao longo das décadas. Em última
análise, deveria fazer parte da natureza do artista se rebelar por
simplesmente ser artista.", filosofa o cantor. Lobão afirma ainda, que
a indústria fonográfica tem vantagens com relação aos pequenos pela
questão do dinheiro, muitas das vezes, trazido de fora. Mas acredita
que o quadro está mudando. "Nós seremos os responsáveis por esta
mudança, não dá mais para ficar esperando o que o executivo vai fazer
com o artista novo, não é verdade?" declara o roqueiro.
Sobre a questão do músico indie carioca ser pior do que os de estados
mais conceituados, como São Paulo e Rio Grande do Sul, Lariu acha que
falta é marketing às bandas cariocas. Segundo ele, os gaúchos e
paulistas falam bem de si o tempo todo, e também têm a sorte de contar
com jornalistas que puxam o saco deles. Já os músicos cariocas... "O
povo do Rio é mais relaxado e não se autopromove" resume o produtor.
Uma coisa ninguém pode negar: uma das vantagens que os músicos
independentes têm com relação aos que possuem uma grande gravadora por
trás é notada, principalmente, no quesito estilo musical. O músico
toca o que quer, mescla o que quer e ninguém mete o bedelho por isto
ou aquilo ser mais vendável. A Casino é uma das bandas que mistura
estilos musicais diferentes: ninguém consegue dizer se eles são uma
banda que toca MPB e mescla rock ou uma banda de rock que mescla MPB.
Mas Cecília diz que não se importa com estilos A ou B. "Ninguém sabe
ao certo, mas também, quem se importa?! Eu quero é mais lugar para
tocar", convida-se a jornalista-vocalista-letrista. Alguém aí se
sensibilizou e tem uma festa boa para chamá-la para tocar?!
Lobão lançou este ano o disco ao vivo "Uma Odisséia no Universo
Paralelo", à venda em bancas e lojas. A Casino está prestes a lançar
um EP pela MMRecords, á venda no site (www.mmrecords.com.br) O Lariu,
é o dono do selo MMRecords, que possui, além do site, uma famosa lista
de discussão.
Leia a entrevista com Lobão na íntegra
Leia a entrevista com Cecília na íntegra
::Tommy Molto/Letícia Cianconi::

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