Friday, June 02, 2006

:: CHInewsKI Online - Edição nº 37 - Rio de Janeiro, 10 de janeiro de
2002::

Sexo e Karate (na minha teve)
Juliana saiu para levar seu irmão mais novo até a casa do avô. Assim eles teriam a casa toda pela noite só para eles. Ela deixou Jorge sozinho em sua casa. Antes de sair ainda brincou para ele não bisbilhotar em suas coisas para não perder o mistério.
E ele realmente nada fez. Sentou-se no computador e começou a navegar pela internet. Aproveitou também e pegou uma carta que tinha feito para ela, pela comemoração de um ano de namoro que fariam naquela noite. Não sabia ainda ao certo como começara. Ela era bem diferente dele. Até a maneira que se conheceram. Ele fora a Igreja forcado pelos pais, por estar todo dia ao voltar do trabalho bebendo sozinho em qualquer birosca de beira de esquina, e viu aquela mulher. Passou a freqüentar a Igreja mais vezes e até parou de fumar e reduziu a bebida para socialmente, seja lá o que isso for. Não demorou muito para, após uma briga entre ela e seu noivo (eles já moravam juntos), acabarem começando o romance.
Um telefone toca. Ela esquecera o celular na mesa de jantar. Ele correra para a sala e tropeçou cinematograficamente na beirada da cama, chutando uma caixa que estava debaixo. Mancou até o telefone e atendeu. "Oi, gostosinha, tá sumida, hein?". Ele ficou mudo, sem saber o que falar. Depois, como sempre, seu sangue quente falou mais alto. "Que porra é essa de gatinha, filha da puta?". "Hã, é 99989798?"."E"."A Ju não está não?"."É Juliana, e não está. Quem e?". "Eu ligo depois.", e desligou. O cara ficou tão assustado que esqueceu até que aparece o numero do celular. Betinho-Home, dizia o display. Tacou o celular com raiva no sofá, tentando se acalmar, e voltou para o quarto.
Viu a caixa que topara bem na porta, entreaberta. Uma caixa de papelão cheia de colagens em volta. Fotos e desenhos bem de adolescência : Moranguinho, Tom Cruise, aqueles casais de namorados se beijando bem estilo Capricho, tatuagens, etc. A abertura estava bem virada para ele, como uma boca.
Parecia pedir para ser vista, tamanha a curiosidade.
Sentou-se na cama, tentou não pensar muito na caixa, mas ela parecia estar fazendo um jogo psicológico com ele. Resolveu abrí-la. Um diário de 93, duas fitas de câmeras portáteis e alguns álbuns de fotografias, daqueles que vem junto com as fotos reveladas. Tudo envolto por fita isolante. Também havia dois piercings.
"Abrir isso também já era demais.", pensava. Mas o Gostosinha e Ju ecoavam em seu coração tantas vezes quanto suas batidas cardíacas. E ambos aceleravam. GostJusinhJuGostJuinhaGoJuInJuGJOJSTJU.....
Viu uma folhinha solta no fundo da caixa. Pegou-a e cheirou. Era uma folha de maconha. Revoltou-se.
Pegou um dos álbuns de fotografias e abriu. Parecia que iria ocorrer algo de um filme de terror quando abri-se o álbum, tal como sair uma mão e o enforcar. Esta morrendo de medo, mas o ódio era maior. Algo o dizia para ter ódio. Viu. Era uma foto dela com um ex-namorado. Uffff. Folheou as fotos. O alívio que sentira no inicio voltava a ser ódio. Via os rostos deles nas fotos. Via uma felicidade exaurindo de seu sorriso que nunca vira nas melhores horas. Viu umas folhas entre as fotos. Pegou-as e viu que eram cartas de amor, bem guardadas. Se perguntava se ela guardaria assim a dele.
Começou a lembrar de tudo que ela já falara para ele sobre sua vida e de seu comeco de namoro. Lembrou de como fora incentivado a joga tudo de suas ex namoradas fora. Aquilo atrapalharia o relacionamento, ela dizia. Os sentimentos que vocês compartilhavam sempre será revivido ao ver as fotos.
Olhou para o álbum. Ele está limpo e com varias marcas de cola adesiva, como se sempre estivesse sendo visto.
Sentiu sua cara mais escura do que já era. Provavemente que passasse e o visse acharia que era um negro da favela que havia invadido a casa para assaltá-la, tamanha a expressão de ódio.
Abriu outro álbum. Este já era bem diferente. Eram fotografias tiradas na praia dela com uma amiga. Começa as duas abraçadas, tirando foto com o braço esticado. Logo no primeiro virar de paginas, já se vê um beijo daqueles onde se pensa que na verdade são siameses unidos pela boca. E daí vai piorando.
Poses sensuais na areia, uma fota dela chamando a outra para cima, deitada na areia. Ela!, pensava. Ela....a minha.... Fechou o álbum com chave de ouro, as duas perto de uma pedra, provavelmente, nuas e abracadas.
Mais uma vez, sua lembrança ativou aquela área que ele desativara.
Escutara
ela falar disso algumas vezes, mas ao ver....ao ver e uma coisa totalmente diferente. E como quando avisam que um parente ou amigo próximo morreu. Você fica triste, mas quando vê o corpo no enterro e que realmente a ficha cai.
Foi ate a sala vagarosamente, tentando respirar fundo, e pegou a garrafa de Frangélico que ficava no bar. Sempre quis virar uma dessas no gargalo, sozinho. Agora ele ia. Estava mandando o mundo se foder. Ou, pelo menos, Juliana.
Desistiu de ver o resto. Ficou ali bebendo.
O vídeo...eles que mais deram curiosidade.
Glup. Glup.
Pegou uma das fitas e foi procurar na sala alguma fita adaptadora para ver.
Foi jogando todas as fitas pelo chão. Os craques, os filmes refletindo a luz, película rolando pelo chão, nada o interessava. Ele queria ver a verdade.
Encontrou.
Colocou a pequena fita no adaptador, ligou a teve e o vídeo.
Colocou. Letras por gerador de caracteres. Festa de Dia das Bruxas 94.
Casa
de um tal de Mironga. Lá estava ela dançando com uma garota e um garoto.
Normal, depois do que vira. Com certeza a câmera era de um deles, pois só mostrava o trio. Jorge sentia um ódio por dentro que jurava estar consumindo seu estômago. Ao ver sua atual namorada agarrada com uma garota (era outra!
Então foi mais de uma), seus olhos lacrimejaram de raiva. As lagrimas só serviam para tentar esfriar seu rosto consumido de ódio. Raiva, ódio, raiva ódio. Era assim que seu peito batia.
Depois, ela assumira a câmera e vira a ficante se amassar com o carinha. Uma cara de mané que não é possível descrever nestas linhas. Somente com uma foto.
Parecia que o pior já tinha passado. A casa começava a esvaziar, o som começava a ser um trip hop depressivo. Ledo engano. Os três subiram a escada de um canto da casa até um quarto.
"Eu tenho medo" - disse a garota.
"Mas a gente te mostra" - disse Juliana.
Os três entraram em um quarto. Provavelmente a cama dos pais do tal Mironga, uma cama de casal bonita. As fotos preto e branco na mesinha de cabeceira comprovavam isto.
Juliana deitara na cama. "Senta ali que a gente te mostra.". Mironga fora para a cama e começara a tirar a roupa de Juliana. Jorge chorava, urrava, mas não tinha forças para apertar o parar do vídeo. Estava petrificado de ódio. Se se mexesse, quebraria tudo a volta.
Ela o chupava enquanto ele mandava beijinhos e conversava com a garota sentada, que parecia amedrontada e excitada. Quando já estava no ponto, ela parou e o colocou de quatro. "Olha, não e nada demais. E simples."
Glup.Glup.Glup.
Acabou o Frangélico, mas não conseguia esticar os braços para pegar qualquer coisa alcoólica.
Mironga meteu-lhe a piroca no cú com um carinho surpreendente. Ela deu um berro de puro prazer, como ele nunca a vira fazer com ele. Nem camisinha estava o filha da puta, pensou.
Após isso a garota se juntou a eles.
E o bacanal durou uma hora e meia.
Após isso, sua mente deixou cair a ficha.
E a ficha durou dois segundos.
Sua tentativa de ménage com sua ex.
Sua bebedeira.
Sua decepção.
O fim.
Ela não amava ele, mas seu corpo.
A pica de negão.
E as historias dúbias que contou.
Ele deixou achar que era outra coisa.
E ela idem.
Mas ela foi pior.
Nunca soube viver com isso.
Nunca quis viver com isso.

Soltou um berro que poderia ser escutado de qualquer lugar do Baixo Gávea.
Abriu as mãos com força, fazendo todos seus músculos e ossos fazerem um som como se desalgemando. Tirando as amarras.
Levantou-se e pegou a garrafa da bebida mais cara. Um saque original envelhecido. Foi virando na boca. Foi urrando. Escutou vizinhos berrando, pedindo silencio, avisando que iam chamar a policia.
Mas agora ele estava livre.
Foi para seu quarto pegar suas coisas. Acendeu um maço de cigarros. O maço, seu ultimo, estava na cortiça dela, como símbolo de sua parada de fumar.
Como achou gostoso. Cada tragada era uma limpeza de alma. Como pode se livrar disso?
Acabava de pegar suas roupas quando o telefone tocou. Foi atender. "Oi, amor?"."Oi"."O Beto falou com você, ne?"."HmHm", era o máximo que queria falar."Ele falou. Olha, vou ter que ficar mais aqui, depois eu te ligo. Você fica chateado?". "Não." "Pó, você é o Maximo.Te amo". Silêncio. "Houve algo?". "Hmhm.""Tá bom então, Tchau.". "Adeus", ele respondeu.
Jurava ter escutado a voz do filhadaputa atrás dela. Nem queria mais saber se era neura.
Não era mais problema dele. Não conseguia conviver com isso.
Antes de sair, lembrou do ultimo detalhe. Foi para a sala e viu os restos do primeiro filme que viram juntos. Ele deu para ela de primeiro mês de namoro.
Procura-se Amy. A história de um cara que não conseguiu se relacionar com uma namorada que era lésbica e já tinha feito uma ménage histórica na pequena cidade de onde viera. Que cômica a vida, pensou ele, enquanto pegava a fita da ménage dela e colocava em cima da cama de seus pais, debaixo do travesseiro, onde ela não veria mas com certeza eles veriam.
A não ser que rolasse a ménage no quarto dela.
Afinal ele ouviu a voz de um fdp que a chamava de gostosinha.
Metida a religiosa filhadumaputa.
Juliana Fischer.




::Caim::

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