Friday, June 02, 2006

:: CHInewsKI Online - Edição nº 25 - Rio de Janeiro, 5 de setembro de
2001::

Terra de Ninguém (verídico)

Seis da manhã. Onze de Setembro. Não consegui uma hora, ao menos, de
um bom
sono. O tiroteio foi madrugada adentro. Tomei banho com medo de não me
levantar ao pegar o sabonete no chão.
Parecia uma brincadeira comigo. Toda hora que estava para sair,
escutava os
tiros. Pareciam mais perto do que nunca. Na terceira vez, escutei
barulho de
vidro se estilhaçando. Fui, cagado de medo até a janela. Olhei o
prédio da
frente e vi que fora no terceiro andar. Logo no próximo intervalo
entre os
tiros, corri para o elevador.
Ao sair do meu prédio, vi dois camburões de polícia. Havia uns vinte
homens,
com aquelas metralhadoras, andando tranqüilamente pelo condomínio.
Para quem
não conhece, é o Araújo Leitão 607, o famoso Favelão. E olha que é um
condomínio militar. Já soube de cinco traficantes mortos aqui. Nesta
noite
subiu para oito. Tenho que procurar apartamento.
No ponto de ônibus, deixei dois Engenho de Dentro-Rodoviária
passarem. Ao
escutar os tiros de novo, e sentindo que estavam a uns vinte metros
de mim,
peguei o primeiro que passou. Liguei para casa e meu pai já estava na
janela
de binóculos, observando tudo alegremente. Velho aposentado é foda.
Na rua Uruguai, um ônibus batido com um Opala de vidro fume.
Provavelmente
era o ônibus que deixei passar. Provavelmente foram foragidos do
tiroteio do
meu condomínio.
Peguei o metrô. A Estácio tava até tranqüila, foda foi a Central. Um
pivete
saiu correndo levando a mochila de um (provável) boy, que correu
atrás, não
agüentou o pique na escadaria, e estava gritando lacrimosamente
enquanto meu
vagão tomava seu rumo.
Saltei na carioca. Estava dando uma olhada no meu oásis, a feira de
livros,
quando vi dois pivetinhos, de uns 13 anos, pegando uns livros de um
real e
escondendo debaixo da camisa. Eram da Agatha Christie. Até ia falar
com o
livreiro, mas minha esperança deles estarem pegando para ler era
tanta que
fiquei quieto a, até certo ponto, feliz deles poderem conseguir estes
livros. Cá para nós, eu mesmo daria meus livros dela, e o cara não ia
conseguir vende-los mesmo.
Fui pela Almirante Barroso. Pela primeira vez na minha vida.
Presenciei dois
assaltos consecutivos na mesma quadra (como se já não tivesse sido o
suficiente).Um moleque pegou a carteira de um cara que parecia ser bem
humilde e saiu correndo. E um pouco mais na frente foram dois
marmanjos, um
pedindo a grana de um senhor de terno e o outro pegando a mala dele e
saindo
correndo.
Enfim, cheguei no trabalho. Na hora do almoço, uma colega que mora na
Ilha
do Governador me falou que exterminaram três policiais explodindo uma
viatura. No fim do dia, voltei para casa, aliviado do dia acabar e
pelo
menos ter chegado com meu salário inteiro em casa.
Ah, devia falar sobre o possível estopim da terceira guerra, não?
Bem, acho
que vocês já sentiram o quanto isso estame preocupando. Enquanto o
Jorge lá
dos states não mirar os mísseis para o Corcovado ou para a Rio-
Niterói, eu
estou mais é preocupado em me desviar das balas perdidas do meu
condomínio e
de ir e voltar do trabalho são e salvo.


::tommy molto ::

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Isto é um caso para...

por chuck jones

Com a destruição de parte do Pentágono e com as forças militares
batendo
cabeças, não havia mais outras solução para o tio George. Quem
atendeu foi
Salsicha, com uma voz, meio aérea, com risadas de Velma cantando Like
a
Rolling Stone. Falando enrolado, George pediu para falar com Daphne.
Acabou
por falar com Fred, que aceitou com entusiasmo o pedido do tio.
Entusiasmado
até demais, acho.
A van do grupo já estava em Nova Iorque, onde iam investigar sinais
misteriosos que pareciam estar aparecendo no livro da Estátua da
Liberdade.
Daphne e Velma discutiam sobre os possíveis suspeitos enquanto
Salsicha e
Scooby acabavam o baseado que Velma deixara na metade. Nunca tinham
pegado
um caso deste nível, e muito menos uma lista de suspeitos tão grande e
requintada: Saddam Hussein, Arafat, GreenPeace, os russos (sempre os
russos), um grupo japonês querendo vingar Hiroshima e até os coitados
dos
chineses. Mas a principal suspeita caía sobre Osama bin Laden.
Parecia até
ter a assinatura dele no atentado.


Velma se conectou numa lista de discussão e viu que haviam suspeitas
de que
o terrorista saudita estivesse em Brooklin Heights, vendo tudo de
camarote.
No caminho, passaram pelos escombros do prédio. Salsicha e Scooby
pediram
para pararem num McDonalds para um lanchinho. Velma fora falar com os
policiais. Eles não tinham nenhuma informação. Ela aproximou-se
sorrateiramente da nuvem de fumaça que vinha da área da explosão
procurando
pistas. Só via gente berrando por socorro. Parou e observou a
destruição
feita. Uma folha caía lentamente em sua direção. Pegou-a para ler
depois,
seus óculos estavam muito cheio de poeira.


Salsicha e Scooby voltaram rapidamente e estavam comendo no furgão
quando
ela voltou. Pelo vidro que mostrava a parte da frente do furgão só
via Fred
esparramado no assento. Onde está Daphne?, perguntou. A cabeça da
amiga
apareceu da cintura de Fred,limpando a boca com a manga de sua
camisa. Eu,
ela respondeu, babando um líquido gosmento enquanto falava. Disse que
nada
havia encontrado e que deviam ir para Brooklin Heigths. Daphne
assumiu a
direção enquanto Fred fumava um cigarro com um rosto distante, talvez
pensativo, no banco do carona.


Brooklin Heights, finalmente. Quem primeiro falou o óbvio fora
Scooby. Onde
ele está? Aqui tem vários prédios, comentou. Estavam perdidos na
investigação novamente. Nem mesmo Velma tinha idéia do que fazer.
Scooby
tivera uma vontade repentina de cagar. Seu dono pegou a coleira e
levou-o
para a rua. Foi na roda de uma grande limusine. Um bom e grande cago
canino.


Um grito com um forte sotaque veio do carro, reclamando do fedor do
excremento do cão. Daphne olhou o vidro fume e berrou :Um turbante!
Era ele!
O motorista, provavelmente percebendo que dera bandeira. O carro saiu
em
disparada. Daphne pisou fundo no acelerador , seguindo a possante
limo. Fred
berrava pela janela, tacando tudo que tinha no carro perto de si em
direção
ao suspeito. Velma investigava com seu notebook que caminho deveria
ser
aquele. Fred parara de pular e falara algo no ouvido de sua amiga que
provocou um enorme sorriso no rosto de ambos. Salsicha só entendera as
palavras perseguição e excitado.


-Ele está indo...para ª..não pode ser, ela está interditada...-disse
Velma,
balbuciando.


Não foi preciso que ela completasse sua idéia. A Estátua da Liberdade

estava à vista. A limusine quebrava todas as barreiras policiais e
continuava, apesar dos tiros que levava. A Máquina do Mistério ia
atrás.
Fred colocara uma mão por debaixo da saia de Daphne e outra dentro de
sua
calça e pulava e berrava coisas sem nexo. O suspeito deu um cavalo de
pau e
cinco pessoas saídas do carro corriam para dentro da estátua.
Estranhamente,
um deles usava uma camisa amarela, ao contrário dos outros. Dapnhe,
de olhos
fechados e berrando, gritava Não pare. E não parou, bateram de frente
na
limusine, que sofreu apenas uns arranhões.


-Vamos, gente!- gritava Velma, acompanhada de Scooby e Salsicha,
enquanto
seus amigos ainda estavam no carro, subindo o vidro fume da parte da
frente.- Eles sempre ficam com a diversão. Vamos lá!


Os três correram para dentro da estátua e viram que o elevador estava
na
último andar. O andar da coroa. Correram pelas escadas e chegaram
rapidamente lá, não sei como. Logo ao saírem da escada, já estavam
cercados
por dois seguranças armados até os dentes. Foram amarrados e
pendurados em
um espinho da coroa da estátua. Viam agora bem de perto o livro da
estátua,
o caso que estavam antes. Alguém berrava da janela da coroa para
eles, com
gargalhadas insanas. Velma tentava ler o que estava escrito no livro.
M...A..C.... Seu óculos caiu e nem escutara seu espatifar.


Um helicóptero se aproximava. Ele vai fugir, gritou Salsicha no
ouvido de
Velma. Faça alguma coisa, Scooby, disse ao seu cachorro. Mãe!,
suplicou o
animal. Uma escada desceu do helicóptero. Dois bandidos seguravam a
escada
para seu chefe subir quando um bumerangue acertou a cabeça de ambos.
Não, um
batarangue. É o Batman, gritou Salsicha, fazendo coro pelo seu herói
com seu
cachorro. O mascarado pulou do helicóptero e entrou na coroa. Paft,
Soc,
Pow, era tudo que escutavam. O menino prodígio também descia e
ajudava os
nossos amigos a saírem de entre as cordas.


Agora eles já estavam juntos dentro da coroa, com os bandidos
amarrados,
desta vez. Muito bem, homem morcego, falou Salsicha. Meu herói,
exclamou
Scooby, se esfregando no cavaleiro das trevas. O bandido de camisa
amarela
usava uma máscara de Nixon. Velam se aproximou e tirou-a. Era o rosto
de
Osama bin Laden. Daphne e Fred chegavam correndo, ela com a meia calça
desfiando e ele ainda com o zíper aberto e com manchas suspeitas em
sua
calça.


-Então era ele! - exclamou Fred.
-Algo me diz que não!- disso o homem morcego, tirando a máscara e
vendo o
rosto de Saddam Hussein.- Agora sim! Como pensávamos, menino
prodígio. Acho
que sairia dessa, não é, Saddam?-disse, levantando-o pela gola em
formato de
v do bandido.


Velma pegara seu notebook que surgira do nada e o papel que estava
guardado
em sua saia sem bolsos. Com o rosto quase grudado na tela, ela
digitava sem
parar, como se verificando algo. Saddam berrava palavras,
provavelmente em
árabe, que ninguém entendia.


-Menino prodígio,-disse batman, apertando a bunda de seu parceiro de
aventuras- você tinha conhecimento que Saddam falava português?
-É isso! -Exclamou Velma, retirando a última máscara do bandido. -
Ele é um
famoso bandido brasileiro. Fernando, pelo que me consta.
-Mas é claro!- exclamou Fred, grande admirador do futebol- Esta
camisa é da
seleção brasileira!


Fernandinho berrava palavras que os heróis não entendiam. Só
entendiam as
palavras Bush, marijuana e dólar. Batman, pelo pouco que lembrava de
português de uma investigação que fizera no Carnaval do Scala no dia
do Gala
Gay, entendera que era algo relacionado a uma dívida pessoal enorme,
não
queria pagar, e ia forçá-lo. Também achou entender que estavam
colocando um
recado sobre isso pichado no livro da Estátua.


- Então resolvemos dois casos de uma vez só! - disse Salsicha.
- E nessa, acho que quem saiu "queimado" desta situação "apertada"
foi o
nosso presidente.


Todos os presentes (até o Fernandinho) gargalharam com a piada
totalmente
estúpida e desnecessária do cachorro. Agora, fade out e letras.


::chuck jones ::

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