Friday, June 02, 2006

:: CHInewsKI Online - Edição nº 28 - Rio de Janeiro, 10 de outubro de
2001::

Mudando...emudando...e mud...

Demorou muito. Anos, talvez. Mas acho que desta vez está indo tudo por um
bom caminho. Não digo que é o certo porque nem sei o que isso
significa, mas
estou indo. E acho que bem.
Há sete anos (parece que foi ontem), queria fazer física ou astronomia
para
saber qual a origem do Universo. Talvez assim entendesse meu papel nele.
Coisa de adolescente problemático que não consegue comer ninguém. E minha
decisão de carreira foi a coisa mais cômica do mundo. "Pai, que
carreira dá
dinheiro?", "Engenharia, Direito e Medicina". Já que não sei mexer com
sangue ou mentir direito, escolhi engenharia. "Pai, que carreira de
engenharia da mais dinheiro?", "Telecomunicações ou Eletrônica". Já que
sempre quis saber como funcionava a porra do meu bip (Pager, token,
whatever), escolhi tele.
Já faz dois anos que nem sei o que é engenharia. Nem pisar mais na
UERJ ando
pisando para não correr risco de esbarrar com certos desafetos ou
amigos da
minha antiga versão. Tudo começou mesmo quando fui trabalhar numa empresa
chamada Maisde50, que era uma revista eletrônica. Com eles , lembrei
do meu
mais antigo sonho: escrever. Ler. Discutir.
Continuei e continuo trabalhando com programação e análise de
sistemas, mas
muito mudou. Conheci umas figuras que me fizeram lembrar que já escrevia
livrinhos desde os oito anos de idade e xerocava para amigos de
colégio, que
sempre queriam mais. Lembrei de uma série de um detetive que criei, Limon
Posquat, de uma trilogia chamada Os Sete Cavaleiros do Apocalipse e de um
livro de mais de mil páginas sobre o fim do mundo (Supernova) que meu
sobrinho me fez o favor de destruir aos oito meses de idade.
Percebi também que minha antiga roda de amigos não me ajudava muito:
falávamos sobre tv, cinema, cerveja, mulher e futebol, além de
"papinho" de
faculdade. Se eu falasse o nome Rubem Fonseca, eles iam achar que foi o
inventor do chute "Folha Seca".
E resolvi mudar. Sentei na frente da máquina de escrever de meu avô e
lembrei dos dias que passava vendo-o escrever sobre sua vida. Um diário
muito pessoal que deixou-me de herança, por saber que era o mais
"escritor"
da família. E então voltei a escrever. E muito raramente escrevo mesmo no
computador. Se é para sair um bom fruto, conto, uso sua máquina.
Com esta mudança gradual, mudei minha roda de amigos, de namorada, de
visual, de biblioteca (sem sei onde estão os livros de engenharia, só os
livros de literatura), de listas de internet (de listas de besteiras para
algumas mais pensantes).
E estou para estrear nesta semana uma coluna sobre Internet num certo
Jornal
do Brasil como colaborador. Não vou receber um tostão, só um link para meu
site de programação, mas pelo menos vou conseguir unir duas cosias: meu
prazer de escrever e o trabalho. Já é algo. Vou colocar no site um
link para
o Chinewski, talvez alguns outros programadores, lendo estas linhas e a do
resto do pessoal, mude algo também.
Ah, se conseguisse sobreviver de escrever. Ou de tocar música....
O mundo está mudando. Muito. Os relacionamentos apodrecendo. As conversas
com isso. As guerras, cada vez maiores e mais freqüentes. E tem gente
que só
sabe do novo capítulo do seriado preferido e nem sabe sobre a situação do
Afeganistão!
Pelo menos meus conhecimentos de informática e engenharia servem para
algo.
Vou parar por aqui para colocar nosso novo layout e novo sistema no
ar. Mais
uma mudança. Mais uma união, programação + conteúdo. E ainda tem o Planeta
Esbórnia trazendo novos pensantes para este reduto. Vou abrir uma
cervejinha, um maço de cigarros e ler os textos antes de coloca-los na
versão Web. Sem ler, volto a ser um mero programador. Prefiro manter meus
novos olhos um pouco. Vejo muito mais assim.
Obrigado para todos, vocês sabem quem são. Colegas, amigos, e até leitores
fiéis. Outras pessoas que não devem estar lendo isso, obrigado.
Tentarei me
manter mudando até encontrar algum foco.
Good reading.



::Tommy Molto::

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