Friday, June 02, 2006

:: CHInewsKI Online - Edição nº 27 - Rio de Janeiro, 3 de outubro de
2001::

cOnToS dE nOvA iOrQuE

[traduzido do inglês]

-Amor? Eu te amo!
-Oi!O que houve?
-Eu te amo. E sempre te amarei. Liga para os seus pais. Fala isso pra
eles.
-Que que houve, amor? Num to entendendo.
-Porra, a gente vai morrer! Saiba que eu te amo.
-Mas do que você ta falando?
-Eu tenho que desligar, não sei se vou conseguir falar com meus pais.
-Você está bem? Eu não estou entendendo nad...
-Caralho, tão atacando a gente! Eu vou morrer, já acertaram o prédio
do
AHHHHHHHHH
[Explosão]
[Linha ocupada]
-Amor? Amor? O que está acontecendo? Amor?
[Disca para ele]
[Telefone fora de área]
[Cara sentado ao lado fala do que houve no World Trade Center]
[Ela corre para o banheiro, aos prantos e lágrimas]


Malik nunca fora muito popular em sua faculdade. Conseguira com muito
esforço uma bolsa na FIU, a universidade federal da Flórida. Viera do
Líbano
e suava muito para manter sua bolsa. Para conseguir manter-se, ainda
trabalhava no McDonald's. A discriminação nunca deixara-o ter muitos
amigos.
Conseguia somente se dar bem com outros bolsistas imigrantes, que se
chamavam "The Weirdos" (os estranhos).
Ele, Syong e Pfaff, outros integrantes do grupo, tomavam o café da
manhã no
seu trabalho. Todos na rua falavam sobre o incidente que acontecia no
World
Trade Center. Seus amigos foram para a aula, ele ainda tinha que
trabalhar
até o meio dia. Um carro de polícia passava pelas ruas pedindo que
ninguém
saísse de onde estava e que não se encaminhassem de maneira nenhuma a
Manhattan e que não entrassem em pânico. De nada adiantava. O povo
corria
desesperado pelas ruas. Carros batiam, pessoas de terno e gravata
roubavam
celulares da mão de outros e corriam tentando se comunicar com
alguém. Um
homem bem apessoado e musculoso estuprava uma mendiga na esquina a
frente da
lanchonete, e não parecia desgostar do que acontecia.
-Malik,- disse seu gerente, cercado de outros funcionários- você pode
ir na
dispensa pegar mais pães de gergelim?
Ele viu que ainda havia o suficiente na cozinha. Olhou para seu chefe,
esboçando uma resposta, mas o olhar do chefe já dizia tudo. Fazer o
que me
mandam, pensou. Entrou na dispensa e procurou mais pães de gergelim.
Correria para dentro da dispensa. Fechar das portas. Eram quatro de
seus
colegas, acompanhados do chefe, que ia tirando o uniforme e mostrando
uma
tatuagem de uma âncora. Apesar de beirar os quarenta, ainda era bem
musculoso. O mais jovem deles, de uns dezessete anos, tirava o boné,
fazendo
sua careca reluzir tanto quanto a chapa de pães que segurava na mão.
-Seus filhas da puta de gringos!-urrou o gerente, ao dar o primeiro
murro-Meu irmão estava lá. E vários amigos meus.
-Mas eu não...-cochichou Malik, sentindo que não adiantaria gastar sua
saliv...sangue a toa.
O garoto bateu com a chapa em sua cabeça. Sentiu que alguma coisa
estava
aberta e escorrendo sangue para seus olhos. Outros dois o seguraram e
o
chefe e o careca começaram a esmurra-lo. Cada golpe fazia sua visão
diminuir. E diminuir. Perdoe-os , Alá, pelo que fazem.
Caiu no chão vendo pedaços de seu coro cabeludo boiando em uma poça de
sangue. Antes de fechar seus olhos para sempre, esforçou-se para
virar para
Meca. Coincidentemente, era a mesma direção do Pentágono.


Jorge Bucho corria alegremente durante a manhã em Sarasota, Flórida.
Tudo
corria bem em seu governo. Ele sabia a verdade, mas depois que se tem
o
poder, se esquece tudo que se passara. Aprisionara o seu demônio
dentro de
seu casulo de poder.
Um dos seguranças que corria ao seu lado atendeu o telefone. Bucho
olhava
para o povo e acenava, olhando de relance para o rosto apavorado de
seu
protetor.
-Senhor, temos que sair daqui.Agora.
Correram para a limusine. Seu assessor ia começar a falar quando ele
fez
sinal de silêncio. Pegou do compartimento de bebidas a erva e a seda.
Pediu
o isqueiro e fumou seu baseado tranqüilamente, tentando esconder o
pavor que
sentia. Será que alguém descobrira?
Na auto estrada o letreiro eletrônico dizia:"Todos os vôos para Nova
Iorque
cancelados". Perguntou o que tinha acontecido. Seu assessor contou
tudo. Do
ataque em nova Iorque. As batidas em seu coração aceleraram mais
ainda,
apesar da erva ter acabado. Finalmente uma guerra para mostrar quem
manda
nesta bosta de mundo.
Entraram no aeroporto e pegaram a Força Aérea numero dois, o número um
estava emprestado ao ex-presidente Clintónris. Viu as gravações do que
ocorrera e aí sim começara a entrar em pânico. Devia ser efeito da
erva,
pensou. Estava tudo muito cinematográfico. Perguntou se era outra
montagem
do FBI para o chefe de segurança e soube que não. Virou seu copo de
uísque.
-Senhor, não podemos ir para a Casa da Branca.-informou o chefe de
segurança
após uma ligação.
-Como não?- perguntou, batendo o copo na mesa, sendo refilado pelo seu
servo.
-Atacaram o Pentágono.
Sua face ficou roxa. Não de raiva, como os que lá estavam pensavam.
Pegou
seu próprio celular e ligou para o diretor do local. Ele perguntou
onde
tinha acontecido a explosão. Na ala sul. Acertaram a área 5?
Precisamente,
senhor.
-Levem-me ao Texas.- berrou, virando mais um copo de uísque.
Após uma aterrisagem em um aeroporto clandestino em sua terra natal,
seu
carro pessoal chegara.
-Sem grande proteção, pessoal.
-Mas senhor.
-Sem grande proteção. Preciso pensar.
E entrou só em seu carro. Uma pickup com vidros a prova de bala. Foi
dirigindo por estradas de areia, um caminho que fazia quando
adolescente
para ir a sua fazenda. Escutava no rádio notícias com possíveis
responsáveis
pelo atentado. Japoneses. Arafat. Saddam. O demônio pulara a cerca.
Não, não
era nenhum deles. Era ele. Eles. Agora iam pega-lo. Desmoraliza-lo. A
América. Eles não tinham noção. A área 5. Foi proposital. Foi um
aviso.
Parou cerca de cinco quilômetros de sua fazenda, onde havia um
pequeno vale
a sua esquerda. Pediu para os seguranças, que já corriam para perto
dele, se
afastarem e não o seguirem. Pegou sua arma pessoal."Quem se aproximar,
levará a pena máxima. Não esqueçam, estamos no Texas. E eu sou o
presidente.". Os seguranças, apavorados, se afastaram.
Ele correu para o vale, em zigue zague. Havia um pequeno bosque
árido, onde
havia uma árvore. Havia um coração cravado nela. Fora ele, há anos
atrás.
Sempre servira de referência para seus segredos. Ajoelhou-se e
começou a
cavar. Após mais de hora, chegara em seu maior segredo. Lá estava. A
maldita
caixa. Porque ele não conseguia destruí-la? Ia ser tão mais fácil.
Empunhou a arma e mirou na caixa. Ficou assim, estático, tremendo, por
minutos. Até que um avião passou, meio que rasante, por cima dele.
Agora
eles sabem. Agora estou fudido. Ajoelhou-se novamente, abraçou a
caixa, e
chorou. E chorou. Pegou seu "calmante" no bolso de trás de sua calça e
tomou. O terno azul escuro já aparentava um amarelo cinza.
Não, ninguém sabe. Vou encontrar uma maneira de culpa-los. Nem que
tenha que
destruir um país. Ou o meu país. Antes acabar com ele do que faze-lo
passar
vergonha. Ser desmoralizado. Levantou-se, certo de que ia apertar o
botão
mirando para o filha da puta que sabia seu segredo. No Texas,
aprendera esta
maior lição. Só se consegue ficar livre de seu passado a bala. E o
que não
lhe faltava era bala na agulha.



::caim::

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