Friday, June 02, 2006

:: CHInewsKI Online - Edição nº 20 - Rio de Janeiro, 31 de julho de
2001 ::

Até uma semana atrás, meu ídolo era Don Juan de Marco,mas mudei. Agora é Sebastião. Um taxista. O Tião mora lá em Irajá , com seus seis irmãos.
Gente
finíssima. Nem sei como consegue ter três carros. Ta bom que é um Gol velho, uma Elba e um Fusca (fusca merece ser escrito com letra maiúscula?), mas eu nem bicicleta tinha.
Já faz pouco mais de um ano que pegou táxi pelo menos cinco vezes na semana.
Seja voltando do trabalho, indo para algum lugar, sempre rola um táxi. É tanta história que até penso em fazer um livro somente de crônicas de taxistas. Semana passada tive que agüentar um que, do nada, me passou um relatório sobre todas as vezes que comeu o cu de alguma vagabunda que conheceu no táxi ou na rua. Foda foi ele falar do caso que ele estava enrabando a mulher e ela começou a cagar no pau e na cama até o banheiro enquanto eu comia um churro.
Mas hoje a história é do Tião. Grande sujeito. Peguei seu táxi na frente dum shopping na Tijuca. O papo veio por causa da garota que ele estava deixando no shopping, uma ex namorada minha. Logo no Dia dos Namorados encontra-la não foi lá uma boa recordação. Ele começou a falar das atuais três namoradas que tinha. O cara é tão maneiro que não me encabulei de fazer certas perguntas metódicas, sobre como é que taxista pega tanta mulher.
- Cara, é fácil pra caralho. Ó, vou te contar o último. Tava lá em Ceasa e peguei um casal. Um japa e um loirão de parar o trânsito. O cara não largava do celular e eu não largava o olho do retrovisor, olhando pras coxas saindo da mini saia da mulher. Ela percebeu, e sorria pra mim. Vi que ia rolar jogo. Quando cheguei no casarão em Ipanema deles, entreguei meu cartão para ela, dizendo que "qualquer" coisa era só ligar que eu vinha. No verso do cartão tinha meu celular. Ela guardou na bolsa e o japa me pagou. No dia seguinte, a vaca me ligou. Era pra ir na praia. No caminho, papo vai, papo vem, e ela me contou que o cara não parava em casa, sempre viajando, dono de seis lojas do Ceasa, etc. Mandei nalata, o cara da no couro? Não, já faz quase um ano. Aí foi teta. Na hora fomos prum motelzinho e barbarizamos, maluco. Caralho, mulher que num transa há muito tempo é a parada.
Chegamos na 28 de Setembro e o engarrafamento tradicional estava maior.
- Liga não, xará. Acredita se quiser, isso aí é da fila praquele motel da Teodoro. Passei lá faz pouco e tinha uma fila de quinze carros pra entrar. O cartaz em promoção tava até meio apagado. Filhas da puta né? Mas também, neguinho parece que só trepa nesse dia. Não é a toa que mulher dá mole pra taxista. O foda é que o homem arranja umas vagabas na rua e começa a não comparecer em casa. Aí a mulher sente falta duma pica e arranja um amante.
Quando um dos dois descobre, ou levam na boa ou se separam e a mulher recomeça o ciclo. Foda, maluco. Num caso nem morto!
Continuamos batendo papo, ele perguntando de mim, e eu até envergonhado de ser um cara normal. Cara, o sujeito era mais feio que Marco Maciel. Magro pacas, cabelo ruim, aquela barba que só nasce em uns pedaços da cara e um cecê desgraçado! E o cara era um garanhão. Comecei a duvidar um pouco destas histórias e joguei a real pra ele. Já estávamos na altura da Praça da Parmê, com uma fila enorme. "Neguinho tem problema mermo. Porra, trazer namorada pra rodízio na Parmê hoje... nem eu que sou pobre, porra!", falou Tião. "Mas vamos fazer um teste, me passa seu celular". Sem entender, mas confiando em meu mentor sexual, passei pra ele.
Tinha duas loirinhas indo pra Parmê. Bem daquelas cachorras do funk: calça jeans encravadas no rego (calça da Gang, como falam) e top, tudo revestido de "glitter" (purpurina). Ele deu uma buzinada. Elas olharam e ele acenou.
"Acena, Paulinho!". Fiquei tão ababacado com ele me chamando de Paulinho que acenei junto. Elas deram uma risadinha e continuaram andando. Ele avançou um pouco pra se posicionar mais na frente delas na hora do sinal fechar. Elas passaram e ele quase se deita em mim, para falar com elas.
- Aí, gatas, tão indo pra onde?
- Ah, pro ponto ir pro Méier.
- To dando carona pro camarada aqui pra casa. Entra aí que é caminho.
Nunca imaginei que isso desse certo. Lembro que minha mãe falava pra não aceitar doce de estranho, muito menos uma carona. Mas elas entraram, cochichando e rindo. Tião foi puxando papo, por conhecer mais funk e estas coisas que eu, mas fui dando minhas piadinhas.Normalmente ninguém ri, mas elas morriam de rir. Ele ajeitou o retrovisor para ver a do seu lado.
Ajeitei o espelho do meu lado para ver a minha. Ela tava dando até tchauzinho!
Mesmo não sendo caminho, fomos até o Méier. Tião tinha desligado o taxímetro antes de falar com elas, nem vi. Chegando na porta do antigo Imperator, elas falaram que era ali. Tião pegou um cartão, que vi que também estava com meu telefone atrás. "Sempre que precisar de qualquer coisa, é sóligar pra mim ou pro Paulinhos, gata.", e deu o cartão. Elas mandaram um beijo e saíram, ficando paradas ali enquanto Tião cantava pneus de brincadeira.
- Cara, dá certo mesmo!
- Vamos ver amanhã.
Antes de voltar pro caminho, meu celular tocou. Elas estavam chamando a gente pra lá na hora. Olhei pro Tião. Demos uma boa gargalhada e partimos pro Sindicato do Chopp do Méier, depois pro De Maio Motel, ali pertinho.
Agora só pego táxi com o Tião. Grande sujeito!

:: tommy molto::

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